“Vi o filme e acheio-o muito tocante.
Fiquei impressionado como os personagens foram apreendidos em imagens e falas tão espontâneas quanto emocionalmente maduras. Pareciam veteranos do cinema.
Os diálogos, bem construídos. Algumas falas parecem antológicas...
As imagens e o som, maduros. O céu, escandaloso.
O destino cruel estampado nos animais com a boca cheia de moscas . Cenas dignas de um Buñuel .
Retrata-se o cotidiano e a rotina de centenas de cidades brasileiras, de pobreza e miséria, de absoluta falta de perspectivas, com muito vigor, com emoção e arte.
Retrata-se com delicadeza a impossibilidade em duelo com o sonho; o destino escrito e prescrito pela dura realidade de um país absurdamente desigual em oposição ao sonho inerente ao homem, de triunfo e fortuna, sintetizados pelo caminhão e pela estrada.
Uma denúncia sensível e delicada da exclusão mas, negando a crônica de uma morte anunciada, com a expectativa de transformação rondando a cuia de comida insípida, arrancada de uma esperança inexplicável, que brota do sorriso cheio de alegria, do brilho do olho sobrepondo a noite que cai impiedosa.”
Tadeu Alencar - Procurador Geral do Estado de Pernambuco
